A Agência Nacional do Petróleo (ANP) rebateu os argumentos da Refit, que foi inteiramente interditada pelo órgão, sobre o risco de cumprir a ordem para esvaziar seus tanques. Como a coluna Capital de O Globo contou ontem, a antiga Refinaria de Manguinhos teve o respaldo de manifestação do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), que concordou que transportar o combustível por caminhão, em plena Avenida Brasil, representaria um risco maior do que mantê-lo nos tanques.
“A ANP não desconsidera os riscos relacionados ao transporte de produtos perigosos, mas reitera sua avaliação e conclusões sobre a situação no local, que sua fiscalização reputou como de Risco Grave e Iminente”, afirmou a agência em nota enviada à coluna.
A ANP argumenta que a atividade da Refit, por si só, já exige “que muitos caminhões carregados com produtos inflamáveis (cargas perigosas) trafeguem diariamente pela Avenida Brasil, o que certamente foi considerado pelo Inea ao conceder a licença ambiental à Refit”.
10%
“Nesse sentido, a Refit já chegou a movimentar, em um mês, 4.661 caminhões de diesel B e 4.692 caminhões de gasolina C, totalizando 9.353 caminhões (dados de agosto/2025). Em comparação, para retirar os produtos por questões de segurança operacional, a própria Refit informou que precisaria de 950 caminhões, ou 10% desse total”, comparou o órgão.
A ANP também disse na nota que “reitera seu espírito de mútua colaboração com os órgãos ambientais (…) bem como o respeito às suas competências e aos princípios ambientais da prevenção de danos, mitigação de riscos à segurança operacional e mitigação dos impactos ambientais”.
O órgão determinou a interdição total da Refit no fim de janeiro, após inspeção de segurança identificar risco de acidentes e incêndios nas instalações. A refinaria já operava sob restrições desde o ano passado, quando parte das atividades havia sido suspensa.
Rennan Setti – O Globo